Em muitas oficinas, a mesa de soldadura é tratada apenas como uma superfície de trabalho. No entanto, nos processos de produção modernos, é um elemento do sistema que tem impacto direto no tempo de execução, na repetibilidade das estruturas e no conforto de trabalho do soldador. Uma mesa mal ajustada ou mal escolhida não só abranda o trabalho, como também gera frequentemente erros que só se revelam na fase de montagem ou controlo de qualidade.
Com base em conversas com utilizadores e na experiência adquirida na implementação de postos de soldadura, é possível identificar cinco erros que ocorrem com maior frequência.
1. Falta de nivelamento correto da mesa - ou ausência total da mesa
O primeiro e mais básico erro é a falta de um nivelamento correto da mesa. Mesmo pequenas desvios têm grande importância em construções mais longas, quadros ou elementos espaciais. Se a mesa não constituir uma base de referência perfeitamente plana, toda a construção começa a “desviar-se”, e o soldador perde tempo a corrigir constantemente a posição das peças.
Na prática, encontra-se também uma situação ainda pior – a soldadura sem mesa, diretamente no chão ou sobre apoios provisórios. Este tipo de trabalho elimina completamente o ponto de referência, impossibilita o posicionamento preciso dos elementos e aumenta significativamente o risco de erros geométricos. É uma solução que pode funcionar apenas nos trabalhos mais simples, mas na produção em série ou estrutural conduz a perdas de tempo e qualidade.
As mesas de soldadura GPPH são projetadas para manter uma tolerância de planicidade muito elevada em toda a superfície do tampo. No entanto, a plena utilização desta precisão só é possível quando a mesa está corretamente nivelada e assente numa base estável. É por isso que os pés reguláveis e a construção robusta das pernas são um elemento tão importante de todo o sistema.

Importa referir que, na maioria das séries de mesas GPPH, a tolerância de planicidade é de ≤ 0,3 mm em toda a superfície do tampo. Para a série SMART, como alternativa económica, esta tolerância é de ≤ 0,5 mm, o que continua a garantir uma base estável e previsível para a maioria dos trabalhos de soldadura.
2. Utilização inadequada do sistema de furos e falta de referência aos eixos
O segundo problema comum é a utilização inadequada do sistema de furos. Muitos utilizadores possuem mesas com uma grelha densa de furos, mas não a utilizam de forma consciente. Os elementos são posicionados “a olho”, sem referência a eixos, escalas ou pontos de base, o que resulta na falta de repetibilidade e na necessidade de “ajustar tudo novamente” a cada vez.
Os sistemas de furos utilizados nas mesas GPPH – tanto na grelha 100x100, 50x50 como na disposição diagonal – foram concebidos para reduzir o tempo de posicionamento e permitir uma configuração rápida e repetível das estruturas. A escala gravada no tampo facilita ainda mais o trabalho e permite tratar a mesa como uma ferramenta de medição precisa, e não apenas como uma superfície de trabalho.

Os furos fresados e chanfrados também desempenham um papel importante. Garantem o assentamento preciso de pinos e ferramentas, eliminam folgas e facilitam a montagem e desmontagem rápida dos elementos de fixação. São detalhes que, no trabalho diário, reduzem efetivamente o tempo de preparação do posto de trabalho.
3. Número insuficiente de pontos de fixação da peça
Em muitas oficinas, as peças são fixadas com “o que estiver à mão”, muitas vezes com um número mínimo de pontos. Durante a soldadura, porém, o material aquece, trabalha e gera tensões que, sem um correto controlo das forças, provocam o deslocamento dos elementos já durante a execução das soldas.
As ferramentas GPPH – incluindo grampos, pinos e elementos de posicionamento – são projetadas para diâmetros de furos e séries de mesas específicos. Dessa forma, criam um sistema coerente que permite posicionar a peça com precisão e manter a sua posição durante todo o processo de soldadura. Em vez de improvisação, surge o controlo: distribuição adequada dos pontos de aperto, posicionamento repetível e estabilidade da construção. Isto traduz-se diretamente numa maior qualidade da estrutura, na redução de deformações e numa poupança real de tempo em todas as fases da produção.
4. Falta de considerar a mesa como base para a expansão do posto de trabalho
O quarto erro consiste em encarar a mesa de soldadura como uma solução pontual e não como uma base de trabalho. Na prática, é frequente encontrar uma abordagem em que a mesa funciona como um elemento isolado do posto – sem possibilidade de expansão, de ligação a outras mesas ou de utilização de componentes adicionais que apoiem o processo de soldadura. Em construções maiores ou mais complexas, as limitações desta abordagem tornam-se rapidamente evidentes. A falta de suportes de soldadura, blocos, extensões ou sistemas de ligação obriga à divisão dos projetos em etapas ou ao trabalho em posições desconfortáveis. Isso prolonga o tempo de execução e aumenta o risco de erros geométricos e de perda de repetibilidade.
As mesas de soldadura GPPH são concebidas como elementos de sistema. Podem trabalhar em conjunto com suportes de soldadura TRESTLE, elementos de ligação, mesas modulares e sistemas de calhas SLIDE SYSTEM. Assim, o posto de trabalho pode ser adaptado de forma flexível ao projeto atual, em vez de adaptar o projeto às limitações da mesa. Esta abordagem organiza o processo, reduz o tempo de trabalho e aumenta a flexibilidade da produção.

5. Posto de trabalho desorganizado
O quinto erro é a falta de uma organização real do posto de trabalho. Quando as ferramentas não têm um lugar definido, os grampos acabam sobre o tampo e o soldador interrompe constantemente o trabalho para procurar algo, o processo perde fluidez. Cada interrupção representa uma perda de tempo, mas também de ritmo e concentração, que na soldadura têm impacto direto na qualidade da execução.
Um posto de trabalho bem concebido elimina estes problemas na sua origem. Gavetas de sistema, prateleiras inferiores ou estações de soldadura completas permitem integrar a mesa com ferramentas e acessórios, em vez de os pousar “em qualquer lugar”. Quando tudo tem o seu lugar e está ao alcance da mão, o soldador pode concentrar-se no trabalho e não na organização do espaço durante o processo.
Evitar estes cinco erros não exige uma revolução, mas sim uma mudança de abordagem. A chave está em tratar a mesa de soldadura não como um simples tampo de trabalho, mas como a base de todo o processo. Um nivelamento estável, a utilização consciente do sistema de furos, ferramentas de fixação adequadas, a possibilidade de expansão do posto de trabalho e a organização do trabalho constituem uma solução coerente para a soldadura. É exatamente assim que as soluções GPPH são projetadas – para que a mesa de soldadura seja um verdadeiro apoio à produção e não uma fonte de limitações. É o caminho mais simples para um trabalho mais rápido, maior repetibilidade e melhor qualidade das estruturas.